"ÁLBUM DO CANTOR E COMPOSITOR REVELA UM MÚSICO QUE NÃO TEM MEDO DE APIMENTAR AS  LETRAS"

 

Luis Fernando Vieira - A GAZETA

Cuiabá - MT

Agosto 2013 

 

Os anos 1970 e 1980 foram bastante férteis para o rock. Neles houve muita experimentação e o estilo mostrou que poderia soar das mais variadas maneiras sem perder a essência. O primeiro disco da carreira solo do cantor e compositor Ronnah, Esquizofrenia, mostra que ele bebeu bastante nessas fontes no que elas tinham de melhor. O instrumental dos mais competentes casam com letras que mostram uma inquietação - e certa indignação - que anda um tanto sumida do rock nacional.

 

A inquietação vem do próprio, são ora exercícios de ironia, ora de autobiografia. O disco apresenta um pouco das realidades de Ronnah, que se inspirou nas diversas perspectivas do cotidiano para batizar o primeiro trabalho solo. "A realidade que vivemos nada mais é do que uma junção de várias realidades, e assim, acabamos sendo todos esquizofrênicos, em diferentes graus", explica.

 

O álbum revela um Ronnah que não tem receio de apimentar as letras, que misturada à veia irônica dele cria verdadeiros hinos contra posturas e comportamentos immpostos. "Somos todos cobrados para agirmos dentro de certos padrões, mas nem sempre as pessoas extravasam suas frustrações, assumem que não estão felizes", diz.

 

As faixas, apesar de uma linha mestra rock'n'roll, sugerem diferentes impressões. A primeira, "Couro de Rato", mostra a influência do rock da década de 1990, especialmente as bandas grunge e de hard rock. A letra é um tapa na cara das pessoas interesseiras e dissimuladas. Já "Síndrome" mostra como os problemas atualmente são facilmente encaixados em algum doença, graças à facilidade no acesso às informações.

 

"Marcha dos Cegos" fala dos desafios na busca por ser feliz. Enquanto "Me Cheira" é uma crítica às músicas sobre hedonismo e pornográficas. "Precisamos questionar esses valores e examinar o que consumimos", frisa. E "Doida" trata da pressão imposta às mulheres por certos padrões de beleza.

 

As três últimas faixas retratam situações já vividas por Ronnah ou por pessoas próximas. "Quando Você Se Foi" conta o alívio e o sentimento de liberdade que sucedem o término de um relacionamento e "Deite-se Ao Meu Lado" descreve um relacionamento em que uma das pessoas não quer se envolver emocionalmente, pede sempre para "deixar a porta aberta", mas acaba se entregando completamente. "Devaneio" é uma divagação relacionada à capacidade imaginativa do músico. "É uma coisa muito doida, de imaginar situações apenas de olhar uma pessoa que você não conhece e nunca mais vai ver", explica Ronnah.

 

"ÁLBUM REPRESENTA A ESSÊNCIA DO ARTISTA, QUE RETRATA SUA REALIDADE APIMENTADA EM LETRAS IRÔNICAS, COM MUITOS RIFFS DE GUITARRA"

 

Rauster Campitelli - O ESTADO

MS - Agosto 2013 

 

Nome conhecido ao cenário da música altermativa de São Paulo, o cantor Ronaldo Picciarelli, mais conhecido como Ronnah, acaba de lançar seu novo trabalho intitulado "Esquizofrenia". Primeiro autoral do músico de 31 anos, o álbum que ficou pronto no fim de julho, representa a essência do artista, que retrata sua realidade apimentada em letras irônicas, com muitos riffs de guitarra. O projeto tem produção musical de Amleto Barboni.

 

Após 3 anos apresentando-se na capital paulista com a banda Makinados, de 2001 a 2004, Ronnah iniciou a sua carreira solo em 2008. "Nesse meio tempo, tive tempo para refletir sobre minha carreira, o que deveria fazer, e escrever minhas canções", revela o artista, apaixonado por música desde criança. "Ganhei meu primeiro violão com nove anos de idade e comecei a estudar música em casa. Quando eu via um instrumento musical em uma loja, ficava babando. Depois pedia para meus pais comprarem. Era sempre assim", conta Ronnah.

 

O música relembra que começou a escutar rock em casa. "Meus pais tinham vinis com músicas do Cazuza, Led Zeppelin, entre outros nomes do rock", explica o músico.

 

Atualmente no mercado publicitário, em que realiza pesquisas de tendência e comportamento, o cantor divide o seu tempo entre as duas carreiras.